sexta-feira, 31 de março de 2017

prosa do dia - 31/03/2017



Esses tempos eu tenho lidado com tantas questões em minha cabeça e,sinceramente, o melhor é organizar os pensamentos. Odeio quando as pessoas só olham para mim como "fonte de informação". Não gosto quando alguém me procura apenas quando tenho algo a oferecer e depois... Sabe o bom dia e um sorriso? Então, não existem. Odeio ter de me perguntar o tempo inteiro quem está comigo e quem não está. Quem é meu amigo e quem não é. Até porque eu odeio incertezas. Eu amo pisar firme, me sentir segura onde eu estou e com quem estou lidando, saber que o afeto e as palavras são verdadeiras, sentir nos olhares que eu posso dizer "estou aqui e você pode contar comigo". Uma pena... Uma pena...  Talvez meus sentimentos estejam tão longe do que eu posso alcançar na real. Eu sei: preciso compreender que o mundo nem sempre - maioria das vezes - não é assim. Temos de lidar sozinhos, aprender sozinhos, caminhar e morrer somente conosco. Nossa natureza é ser só. Mas como lidar com esses sentimentos nesse mundo tão incerto..? Parece que o tempo inteiro estou "pisando em ovos" e me arriscando, driblando, tento entender e depois choro com minhas conclusões. 

Acredito que minhas indagações nunca terão uma resposta... Eu nunca saberei de nada. Minha confiança nos outros parece sempre ser testada, é tão difícil ser assim, sentir tudo isso. Depois de pensar um pouco, penso que não sou muito seletiva... Eu tento mostrar, vou me aproximando devagar, mas essas tentativas e expectativas me paralisam e eu continuo em inércia. Eu gostaria de saber se posso confiar, posso me abrir mais, posso não ser apenas um instrumento, e que o olhar não é hesitante, nem mentiroso.... mas eu penso demais. Continuo esperando e boa parte das vezes eu me frustro..."Quem é meu amigo e quem não é?" é o que me pergunto o tempo inteiro esses dias. 

Estou tentando praticar o "deixa as coisas acontecerem como devem ser", entretanto é complicado desacelerar os pensamentos e seguir o fluxo calmamente quando se tem um monte de pensamentos (obscuros) em sua cabeça.
-G.MOON

quarta-feira, 29 de março de 2017

Entre a porta e o céu




Há uma porta aberta
Há uma grade entre a porta e o céu
as fechaduras se misturam, escondem-se na madeira firme
os cadeados se reúnem entre as barras
As vozes lá foram se estendem pelo horizonte
Cheio de um azul que parece tão confortador
as luzes mudam com o tempo
e a visão daqui de dentro é sempre fantasia
as vozes, elas mudam o tempo inteiro
Mas a grade - esta parece de ferro
as fechaduras: tensiono-as 
tentando abri-las pouco a pouco,
a pressa continua a me sussurrar,
mas eu emprego com calma 
quando? quando poderei terminar?
estou me encobrindo de folhas em branco
e papeis reciclados
atrás destas grades de ferro
cadeados sem muita serventia
estão abertos? talvez? 
onde estão as chaves? pergunto.

nada está tão longe de mim

-G.MOON

domingo, 19 de março de 2017

O que ele(a) sente.



Sabe quando você sente pelo outro? Quando você olha no rosto e consegue ler aquilo que o outro está sentindo e pensando no momento? Ou simplesmente deixa transbordar para dentro de si todo aquele sentimento? 
Eu sinto - eu sei - que ela está sozinha no momento. Ela está pensando o que fazer... Como agir? E o amanhã? Quando o sol vier novamente e veremos outras horas, minutos... Outros segundos? Quando todos te julgam e você incorpora estas palavras e trata-as como se fosse o maior e mais concebível julgamento do mundo? 
"Eu preciso fazer isso.. Eu preciso ser assim. Todos esperam de mim

E tenho medo!"

Medo do que pode ocorrer. De como reagirão. Do que virá depois de tudo... Se sobreviverá.
Tenho enxergado isso tanto em mim... É o irracional sentimento de ver o outro e sentir o que ele sente. Eu sou ele, eu sou ela. Somos um nós cheio de laços. Misturamos as nossas figuras.. E eu sei que teu choro está por vir. Eu sinto por ti, então permita-se chorar aqui.
Sei o quanto está cansada, o mundo e as pessoas, os males e seus julgamentos, eles estão a te engolir. És passiva. És paciente, mas levanta a cabeça... Vamos sentir juntos. 
O mundo não encara e encarcera tanto... 
Se chamares por mim.

-G.MOON

quinta-feira, 16 de março de 2017

Redoma




Talvez eu desse um ou dois passos
Talvez eu te visse ao horizonte
Meu - ao nosso horizonte cinza
Distante e de braços abertos
Esperando - infinita e ternamente
Por mim
Talvez eu não tenha sido feita pra ti
O sentimento cheio de cores 
estradas e linhas mal desenhadas
Sejam demais para mim
Grande demais pra uma alma
em redoma
A redoma me cerra
As mãos somem 
Os passos deslizam no horizonte
Tu estarás esperando o sorriso
O desenho, o nosso horizonte cinza
Mas a redoma se fecha
E me afoga em minhas próprias mentiras.


-G.MOON

sexta-feira, 10 de março de 2017

prosa do dia 10/03/2017 - sentido?



Às vezes eu penso que minha vida é vazia de sentido. Esse sentimento de esvaziamento vem justamente quando passo longos períodos sozinha ou quando paro meditar sobre qualquer coisa. Eu procuro algum motivo para lutar, alguém para me agarrar, ou qualquer desejo que venha de mim mesma e que eu sinta vontade de realizar. Fracasso, na maioria das vezes. Claro, eu penso em várias possibilidades, mas nada que me desperte um sentimento forte e intenso que me leve a agir. Universidade? Família? Amigos? Eu realmente não sei. Tudo me parece solto, vago, eu não consigo criar laços fortes com muita coisa... Sento, penso... Continuo em inércia. Muitas vezes penso em começar a procurar por aí, mas por onde começar? Já disse, procuro em mim.. Mas.. Nem aqui eu consigo encontrar.
Tem se tornado difícil, cada vez mais complicado encontrar algo pra me preencher. Eu me sinto apática a maior parte do tempo. É estranho absorver tudo e não sentir nada que me dê sentido.
É como se nada mais tivesse cor. Como se tudo fosse uma obrigação. O que eu faço hoje, na vida real, eu não sinto prazer.. Ando pra lá e pra cá e sempre parece que falta algo. Eu sei que eu preciso me mover, mas, já disse, não encontro algo que me impulsione. É difícil se encontrar, sentindo-me desconfortável com a vida que levo. Eu me sinto viva aqui dentro, mas sem saber pra quê... Por quê?
Não, eu não tenho uma doença grave. Claro, tenho alguns problemas de saúde, mas nada que me prejudique muito; Minha família não está passando por dificuldades, temos problemas, mas toda família possui; tenho poucos amigos, realmente, mas isso decorre da minha personalidade mesmo, eu já aceitei esse fato. O que me falta, realmente, são objetivos. Os motivos para me levantar e viver plenamente, sentindo prazer... Sei que tudo nem sempre vai ser como queremos, mas se eu disser que me sinto feliz com a vida que tenho hoje, eu estaria mentindo descaradamente.
Alguns dizem que deus é o motivo da sua vida... Mas, e se eu disser que não consigo mais acreditar fielmente em deus? Outros falam em crescimento profissional.... E se eu disser que nem sei se escolhi a carreira certa? A universidade vai voltar daqui a alguns dias e, sinceramente, eu não me sinto nem um pouco animada. 
Daqui a aproximadamente dois meses eu farei 20 anos. O que eu fiz de bom? Quais minhas realizações? Meus amores (ainda este dilema...)? Felicidades? Metas? Sei que sou nova ainda, mas em 20 anos podemos fazer muito. E eu tenho a impressão que não fiz nada. Parece precipitado procurar realizações aos vinte anos de idade, mas quando paro para pensar sobre tudo que já vivi, eu só enxergo momentos sem muita impressão. Eu não me lembro da minha infância (somente alguns pouquíssimos momentos), minha adolescência foi insossa e agora chego à vida adulta ainda sem saber muito bem o que fazer.
Fazer listas de desejos? Listas de objetivos? Nunca deu certo comigo. Acho que eu vou continuar vagando por aqui... Como um pequeno grão de areia em movimento pelas ondas do mar...

-G.MOON

quarta-feira, 8 de março de 2017

Prisma.


Azul 
vermelho
Ciano ou magenta
O corpo sob a luz
A luz - as ondas 
enganam-me
Pois o olhar se deixa levar pela mistura de cores

Mascaram como um véu maldito
Escondem a tua real promessa
Os olhos se abrem 
As luzes continuam a pairar nas retinas
Nem tão cedo elas se apagam
Pois tu continuas aqui
Com teu prisma 
Brilhando em toda esta claridade
Estas ondas disformes que tomam a minha alma

Na soleira da porta eu espero
O encanto, meus olhos
meus pés se movem
E tudo se quebra


No desmantelar daquele prisma

-G.MOON

sexta-feira, 3 de março de 2017

As ruas e rostos sem nome



As ruas sem nome estão sempre cheias
De suor, raivas
Tristezas
E tantos estresses
Andando pelo asfalto sujo
Observo rostos cegos
São como borrões
Passam, fogem entre os caminhos
Cada um procurando os seus desejos 
Andando e dançando em círculos
Encontram-se sempre os mesmos borrões
As mesmas atitudes sem nome
São muitas vias
Todas elas para um único caminho
Os borrões se confundem
O andar nunca ganhou algum nome próprio
Sinto que estou entre eles
Entre os estresses e as tristezas
O suor sujo a correr por minhas mãos calejadas
As linhas tracejadas nesta pele desgastada
Penso:
Como nomear tudo isso?

Há uma única via
E eu sigo através de dela.

-G.MOON

PERDÃO

Eu deveria pedir perdão A mim mesma. Pelas histórias inventadas Os sentimentos perdidos E as palavras mal explicadas Eu deveria p...