sexta-feira, 29 de abril de 2016

Passagens






Canto, enquanto o tempo devora o mundo 
Estou em sua dança
 Em meus passos
Matando esses anseios,
Enquanto os ventos de maio se aproximam
Completarei anos
Serei mais velha e um pouco mais dura que já sou
Nada vem de imediato
E o tempo Passa raspando
Viaja,
Invisível
Leva tudo que deseja.
Daqui a poucos dias
Terei mais de 8, aproximando-se do 80
Tão pertinho dos vinte invernos
Cheio de cartas
Poesias
E nada de passados enlouquecedores
Mansa que sou...
Rígida... Sem tamanho punho.
Espero os anos
Os dias
Os minutos


Passarem, levando-me
Indiferente.




sábado, 23 de abril de 2016

Gélido



Que as noites tão belas aconcheguem 
Estes versos tão amargos
Meu sangue frio, quase azul.
Escrevo, enquanto penso nestes meus dias
Tão a pena
Tão pouco vividos.
Estou rindo, cinicamente.
Entre eles, sempre
Mas nada veio a me avivar
Estou a procura de venenos
Mas meu coração é orgulhoso demais
Duro demais
As flechas o atingem
Quebraram-se em sua crosta frígida
Ele não mais sangra,
Parece tão forte


Desmorona pouco a pouco.


Abraços




Em meu ritmo acelerado,
Meu coração para e sempre estou de volta,
Mesmo que breve
As grandes sombras do além-presente
Aquelas sombras tão turvas
Tão angustiantes
Abraçam-me e  eu corro, constantemente
Nada pode mudá-las
E elas permanecem aqui...
Tão turvas, cheias de mim
A perturbar-me para sempre...

Até que eu me vença,
E abrace-as de volta. 

Alguns dias fora... Estou queimando!



sábado, 9 de abril de 2016

Demasiado



Preciso somente de um momento de silêncio
Para fechar os olhos
E olhar para mim, somente para mim
Estou carregado de energias dos outros
E necessito das minhas
Para me satisfazer
Colocar os pontos nos is
Soltar-me de tudo
E poder voltar, cheio de mim.
Há tanto barulho nos outros 
Tenho de suportar os meus também
Eles gritam em meus ouvidos
Eu preciso fechar os olhos
Desligar todos os sentidos


Eu preciso de mim um instante
Apenas um instante.
Não peço nada demais.
O demasiado é irritante.


A doce flor



Será que há quem queria uma flor solitária?
Imersa em suas cores
Possui alguns espinhos, mas chegue mais perto...
E sinta seu perfume doce.
Ela não fere ninguém
Apenas se fecha quando sente o perigo
Mas ela gosta de ser amada!
Não gosta de ver seu canteiro tão vazio
Sim, ela ama um suspirar,
as narinas a sentir seu perfume...
Os dedos ferindo-se em seus cálidos espinhos..

Tanto já chorou,
E já cantou canções de amor,
Mas nada foi tão bonito 
Para conquistar seus amores.
Ela se encanta pelos céus,
Tão azuis quanto suas finas pétalas
Muito novinhas...

E pensa:
Onde está a cura para seu estranho sentimento?


Sim, eu ainda estou fascinada por flores...

terça-feira, 5 de abril de 2016

Arte Final




Só sei desenhar rabiscos que não tem meio
Nem fim
A ponta do lápis não me obedece
E as linhas deste rosto se tornam tortas
E meus ânimos vão embora 
São apenas rabiscos
Sem meio
Propósito 
Sem fim
Jogo os papéis ao chão
Eu desisto: Quase sempre
Eu não sei desenhar, aceito 
Não suporto mais estes rabiscos
Eu deixo as linhas seguirem
Por si mesmas
Tomando o rumo como queiram

Não me importo mais:
A arte final nunca será totalmente minha.


sábado, 2 de abril de 2016

Cuidado.



Nossos dedos também podem estar sujos.
 E os nosso egos também se inflamam.
Somos tão corruptíveis quanto todos os outros
E sabe o pior?
Mentimos para nós mesmos.
Então, cuidado. Muito cuidado.


Ser Errante



Minhas energias de esvaem em instantes
A minha boca seca, sem mais palavras para se encher
Os olhos cansados, abatidos por esses corpos
que parecem incomuns a mim, mas
Eu me misturo aos seus sentimentos
E, em choques, me identifico em cada um deles
Mas, sabe aquela hora que a bateria acaba?
O corpo desaba
Preciso apenas de mim
Eles não compreendem?! Céus!
O que há de tão errante ser assim?


PERDÃO

Eu deveria pedir perdão A mim mesma. Pelas histórias inventadas Os sentimentos perdidos E as palavras mal explicadas Eu deveria p...