domingo, 29 de novembro de 2015

.secreto


Queria fazer algo secreto
Como mentirinhas adolescentes
E sorrisos nos fins das tarde de sábado,
Sob o manto quente de um beijo.
A balada desses dias parecem tão tediosas
Os ventos batem, sem expressão
As horas correm e eu estou aqui,
Esperando-o [quem?]
Agora [com certa pressa].
Desejei muito pegar em suas mãos
Escrevo cartas, enquanto não estás aqui.
A lua exibe um brilho que anda a me hipnotizar,
Como nunca fizera antes.
Sair pelas ruas a cambalear,
Meus olhos brilham - quem és?
Apareça!
Já não quis mais escrever sobre amor,
Os dedos suam, estou sentindo minha pele molhada
Como sou ridículo! Pelos deuses!

Pareço um apaixonado!
E eu não sei por quem.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

.sangue e nada mais.



Não tenho mais palavras para te dizer
Nem mesmo lagrimas que possam  demonstrar
Nosso sangue não vale mais nada
E eu percebi:  sangue nem sempre traz amor
Podem dizer que estou errada!
Porém, não quero mais esconder:
Eu fujo e você nunca percebeu isso
Eu choro e, claro, você nunca vai perceber.
Afinal, pra você existe mais ninguém nesse mundo
Sua existência basta
e outro, bem ao teu lado, de nada vale.
E me impressiona saber
Que ainda possa olhar nos olhos de alguém
E mentir! Dizendo o quanto está disposto a amar.
E, sim, estou nos extremos 
Mas, deles que tenho minha força
Torno-me mais rubra,
como uma flor que desabrocha
e ganha seus próprios espinhos.
sangra em seus próprios espinhos.
Então, eu tenho certeza de que estou correta
Acho que o tempo nunca passou
Nem para mim
Nem para você
Amanha sempre será o mesmo dia
E eu - vou continuar a sentir o mesmo de hoje.


segunda-feira, 23 de novembro de 2015

.fenda



Prezo palavras que me rasgam por dentro
Aquelas que me sugam dos pés a cabeça

Tiram-me do chão
E, nas linhas finais,
jogam-me contra a parede.
Palavras que respiram e expiram intensidade
Transparecem
Tudo que tens aí dentro



solitude.


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

20/11, Dia da Consciência Negra.




Se mergulharem um pouco no Moon, poderão ver o meu nome real. E, sim, eu me chamo DANDARA. Há alguns anos eu não sabia a importância desse nome... Na verdade, tenho ele por conta da minha irmã mais velha que certa vez o ouviu na TV e quis me nomear assim... Entretanto, com o tempo descobri por que meus professores de História sempre ficavam admirados na hora da chamada (rs.) Dandara foi esposa de Zumbi dos Palmares e lutou pela libertação dos escravos. Era uma guerreira e liderou homens e mulheres pela liberdade. Hoje, lembram-se de Zumbi, mas muitos se esquecem do quanto ela também foi importante. Como uma grande líder feminina, deveria ser estudada nas escolas, a fim de trazer inspiração a milhões de jovens negros.
Hoje é um dia que traz muitas pérolas... Um é exemplo é a "consciência humana, branca...", enfim, essas frases de que todos somos iguais e que um dia (apenas um dia!) para celebrar o negro e sua força não é necessário! Pois, sim, É NECESSÁRIO! Querem calar a nossa voz. Por ser negra, eu já sofri com o racismo e sei que todos nós, negros, sofremos o tempo inteiro. Os debates atuais sobre racismo se mostram tão superficiais que me dão náuseas... Negam-se a aprofundar a cultura negra nas escolas, um pouco de nossa riqueza é apresentada apenas no mês de novembro e 'Puff", some. Não querer ver o empoderamento, negam-se titulos, empregos, somos barrados todo o tempo. E, ainda somos chamados de "vitimistas!" Para piorar, vem o papo-furado de "democracia racial". Onde? Dia desses vi o caso de uma garota que estava atrás de um emprego e, quando chegou na entrevista, olharam seus cabelos black e disseram: "Com esse cabelo, você não trabalha aqui." Ponto. 
Fico extremamente incomodada com muita coisa que leio.... Parece que fica pior a cada dia que passa e é estranho viver num mundo assim. Vejo movimentos interessantes crescendo hoje e isso me alegra bastante. Negros gritando contra o racismo, pessoas que apoiam... Reafirmação de raizes... Mas, precisamos e muito, muito mesmo. 
Consciência negra não é só 20/11, é todo dia, todo momento. 
Dandara resiste! E nós também!



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

.espectador



Tenho olhos de águia
E minhas asas sempre estão prontas para o voo
Odeio este cinza que queima minhas retinas
E, o barulho das cidades é a sinfonia que perturba meu sono 
Estou preso à melancolia desta selva de loucos 
O nascer do sol parece tão estranho aqui...
Minhas asas não se sentem livres 
Para voar nestes ares de gases sujos
Meus olhos dourados esqueceram a beleza dos céus
Hoje, não tenho mais sede de sangue,
Era um guerreiro ávido por guerra,
Mas tudo parece tão assustador ao ver
Esses mortais cheios de egos.
Queria a gloria do jardins reais novamente...
Fui desobediente e jogaram-me aqui,
Entre os insanos - não há mundo mais estranho.
Meus olhos atentos perseguem cada passo deles
Sinto destruição em todo movimento
Sou espectador de suas ganâncias
Sei que, lá acima, os deuses de irritam.
Os Mortais querem mais que semelhança, 
Aspiram igualdade.


terça-feira, 17 de novembro de 2015

.confissão



Assumo.
engasgo, respiro, mas digo: 
Lá fora, sim, sou dificil de alcançar.
será que meu rosto parece sempre dizer "não"?
acho que criei paredes de ferro ao meu redor
e eu e o mundo
parecem pólos que se distanciam,
cada vez mais....
apesar de todos os meus sorrisos
e minhas palavras que eu sei -
sou eu, de alma! 
eu gosto de abraços singelos,
vejo e sinto todos ao meu redor
estudo seus gestos, crio teorias! 
é tudo tão engraçado, divertido!
Mas, veja bem, será que conseguem me descrever?
Talvez eu só possa despir minha alma
Assim, em versos.
Longe de tudo, 
somente em minha presença.
Exclamo a louca, tímida, agressiva,
sorridente, a bêbada de sentir.
tudo ao meu avesso!
talvez, eles nem quisessem me ver assim
talvez, eu não permita que me vejam assim,
ou, sei lá! cansei de procurar explicações.
sei que toda essa fortaleza ao meu redor
esconde meus mais estranhos rostos, além do "não".
Então,
leia-me aqui!





.ruinas



Não há mais nada no fim do caminho
Chegamos ao limite
E tudo rui, em fragmentos que somem
Na escuridão
Eu ouço vozes a gritarem bem perto de mim
Observo seus rostos,
Os olhos parecem estar em branco
Como se não quisessem ver.
Eles gritam que querem ficar!
Eu, visando o pouco,
Humana que sou,
Não quero mais voltar
O que há? Se tudo está em ruínas
Antes que pudéssemos ver,
E clamar.

domingo, 15 de novembro de 2015

.vidas


Ontem à noite comemoramos um ano nascer
Hoje vi quase 100,
Mansos... irem embora.

Histórias que se iniciam
Historias que se vão.
E, assim, celebramos [ou choramos] as vidas.





terça-feira, 10 de novembro de 2015

.relatos...



     Pode parecer triste o que vou dizer agora... Mas, é a mais pura verdade. Não sei dizer se o problema está em mim ou nas pessoas, não sei e, também, prefiro não definir isto. Quero apenas relatar algo que sempre acontece comigo e me incomoda tanto quanto eu me acomodo.

      Sempre fui alguém de poucos amigos. Na escola, tinha duas a três pessoas mais próximas e, às vezes, sentia-me sozinha, não sei por quê. Antes, não era muito de conversa – ainda sou, na verdade –, mas era muito mais retraída e mal sabia conversar direito. Já pensei em diversas possibilidades sobre a causa desta minha característica, entretanto, hoje  estou quase convicta que é a minha natureza mesmo... Enfim, voltando aos amigos. Ida e vindas, algumas pessoas sempre se vão, não é mesmo? Meus amiguinhos sempre eram da escola, pois de outros lugares só tive duas pessoas próximas. Uma me deixou quase que completamente e a outra é, ainda hoje, uma pessoa muito querida... Mas, no colégio, os anos passavam e eu sempre acabava perdendo contato com as pessoas... Na verdade, eu até tentava manter, mas chega um momento que não existe mais assunto e.... Então, acaba tudo. Isso acontece muito. Eu sei. Mas, comigo, parece que é um CERTO acontecer... Sempre me pego relembrando momentos bons, sorrisos, conversas... Ano passado, no meu último ano escolar, sempre dizíamos: “Nunca perderemos o contato!”; lembro-me como se fosse hoje! E então... O que temos? Cada um em seu canto, dizendo alguns “Oi’s” ou “Bom dia’s” de vez em quando e só. Perde o brilho. Olho fotografias de suas vidas atuais e fico pensando e se... Fôssemos amigos ainda? Talvez, não me pensasse tão sozinha, sem alguém para conversar ou trocar experiências. Não só para eu receber companhia, mas também compartilhar o pouco que tenho... Poder dar abraços quando precisam e....Enfim... Ser amiga mesmo.

        Já tive uma amizade muito bonita, de infância, mas vi se desmanchar bem sobre os meus olhos. Relatei isso milhares de vezes* aqui, mas... Hoje tenho novas perspectivas. Sofri muito quando vi uma amiga me excluir de sua vida e também senti muito quando descobri que ela descontava mágoas de outros fatores em mim. Nunca tinha feito nada de mal a ela, eu sabia disso. Mas, escrevi, chorei... E, depois, perdoei. Ela me pediu desculpas, mas nossa amizade não mais voltou à beleza de antes. Tentei conversar, voltar às nossas antigas histórias... Mas, depois de tantos problemas, ela se tornou outra pessoa e, eu não sei como alcançar este seu novo “eu”. Vejo-a algumas vezes, não sei o que dizer... Nem o que sentir.

       Hoje, na universidade, vejo pessoas alegres, cheias de energia e com muitas bagagens. Converso com uma pessoa que eu acredito ser próxima a mim, mas às vezes penso que ela não sente o mesmo. Ela parece distante e como se tivesse uma barreira... (parece um pouco comigo) Talvez seja impressão minha. Faço o que posso, não tento fingir ser o que não sou (como já tentei muitas vezes) e sinto-me sozinha muitas vezes... Já pus a culpa em mim por não ir aos bares que eles frequentam, não gostar de beber, rir muito pouco ou não saber “resenhar” ... Mas, agora... Acho que dever ser outra coisa... Ainda não descobri, vou analisar.

      Reflito muito sobre tudo isso, sempre foi um dos pontos mais marcantes de todos os meus “problemas”. Sinto-me tão desconfortável esses dias... Quando paro o tempo para mim, todos os meus monstrinhos vêm e atacam sem dó. Eles serão domados, eu sei. Posso sentar e conversar com eles, como faço agora. 
*esses link's são de postagens antigas... logo quando aconteceu isso. fiz outras postagens, mas essas mostram o inicio do que passei...
 

.absorver



Eu abaixo minha cabeça
E deixo mundo girar ao meu redor
Sinto que também posso cair
Eu também estou a girar
Mas finjo que não estou aqui
Estou de olhos vendados
O coração a pulsar rápido
Minhas mãos estão rentes ao corpo
Tento manter o equilíbrio
Mas, quando me dou conta,
Já estou ao chão.
Nada poderia evitar
Sei que não posso dar conta de tudo
Então eu caio
Não quero levar ninguém comigo
Porém, tenho danos aqui
Eu amarro todas as dores de fora
Eu me estrago por dentro
Eu não posso evitar
Eu vejo os outros a aguentarem
Giros piores que os meus
Mas eu cai primeiro
Eu chorei primeiro
Eu sinto sempre
PRIMEIRO
Sei que devo ser forte
E, na verdade, eu acho que sou
SIM.
Eu absorvo as forças do mundo
Sejam elas boas ou más (existe isso?)
E me tranco ao chão
Em verdade- queria ver todos pararem de chorar
Podem me deixar aqui
Eu sei, aguento.
Eu sei, eu tento. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

.prosa do dia 06/11/2015!



Não estou totalmente de volta, mas respiro um pouco de alívio! Apesar de não ter certeza se passei em todas as disciplinas, acho que vou bem... Agora é esperar ( apesar de que ainda falta um trabalho para apresentar, mas é só isso). 
Estava com saudades de entrar aqui no moon e falar um pouquinho da minha vida... Postei algumas poesias decorrentes do meu cotidiano corrido, entretanto gosto de ter um tempinho para pensar e sentir um pouquinho de mim, sem preocupações. Parece que nos últimos dias tenho vivido apenas em função da universidade. Transportes, acordar cedo, resenhas, seminários e, principalmente, Desafios. Mas, aos poucos vou superando a mim mesma e, sei que cresci bastante esses tempos. Descobri novas faces, medos, gostos, enfim... Percorri caminhos que nunca imaginei estarem aqui dentro. Mas... é assim. Ambientes novos, sentimentos novos, pessoas novas... Um mundo novo. Às vezes é dificil para mim mudar de eixo, mas descobri que posso me acostumar rápido às mudanças, apesar de ter muito medo delas.
Bom, as férias estão chegando... E eu só quero voltar às minhas histórias, meu blog, meus animes, enfim... meus refúgios!


.imediato


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

.indefinido




nunca me senti tão carente quanto nos últimos dias
talvez precise de alguns abraços...
eu os recebo, mas não parecem tão acolhedores pra mim
meus sons favoritos não me confortam
nem aqueles olhos,
nem estes sorrisos.
meu conforto é outro, 
mas eu ainda não sei qual é


.cheios de si



Não tenho paciência para devoções
Esqueci completamente dos deuses
Eles são cheios de si.
Já tentei me apegar a portos invisíveis
Pedi; tentei, mas não consegui.
Antes já não tinha paz,
E agora sei que ela jamais virá
Talvez sejam eles novamente a tirarem
Escárnios de mim
Como se me punissem por não conseguir vê-los
Mas, como podem, se não me enganam mais?
Não os nego, talvez eles estejam por aí
Olhando este mundo perdido,
Mas deixamo-nos sobre nossos caminhos
Como se nada valessem...
Nada pertence a eles
E tudo nos pertence, desde o inicio.

O estranho

Todas as noites Uma névoa de letras E palavras soltas Entre nós e caminhos Feitos e desfeitos Debatem entre si E nesta pe...